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24 fevereiro, 2016

Em defesa das crianças da periferia

Fiquei com a voz dele no meu ouvido
as palavras penetram de uma forma dolorida
certamente mais nele do que em mim
chora o peito.

Dignidade é uma coisa
que dependendo de sua classe econômica
você não a tem,
temos deveres, não temos direitos.

A rua está aí para todos
assim como o lixo, os ratos, os pombos
vejam as baratas pelas calçadas
e os restos de comida com larvas
na boca de gente que come a sobra da janta
de ontem, do outro. Carolina de Jesus bem sabe,
e ainda ouviu o filho perguntar se tinha mais.

O menino cá
falou em defesa de outros meninos
tão pequenos, tão maiores do que ele
são crianças entendendo tudo
sentindo o descaso que o Estado dá
e mesmo com pouca idade já compreenderam
que o oprimido precisa lutar.

São crianças que querem brincar
que querem um lar.
São crianças que perdem a infância
cedo demais.

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