Translate

21 dezembro, 2015

Tia escreve "vida loka"

Na favela a Clarice não reina
então a gente não lê Lispector
não recita Fernando
na quebrada o povo pede rap
protesta, fala de cadeia,
da nova senzala que é de madeira
e escuta a goteira do barraco
depois que acaba o tiroteio.

Na favela o choro
é pelo filho morto na navalha
o cenário é a mãe
que enterra o filho morto na bala
e também se fala do aborto da puta
que vende o seu corpo
por alguns míseros trocados
que lhe tire a fome
ela abre as pernas
pra vestir a família
ela abre as pernas
porque esse é mundo dela
mundo injusto este
que nos trata feito cadela
de rua
diferente de muita gente
que vive no mundo
da cinderela.

Na favela
não é a vela que incendeia
o barrado
não é o cachaceiro
que por acidente
incinera a comunidade
mas é a especulação
imobiliária
que por maldade
e desumanidade
comete atrocidades.

Nenhum comentário:

Postar um comentário