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23 novembro, 2015

Ela

Uma flor nasceu
perto do arranha-céu
duma avenida
que nunca termina
brotou ali
na rachadura
próximo ao esgoto.

Uma flor tão pequena
que mal se percebe
duma cor amarela
delicada a se destacar no concreto
mas resistente que o vento não leva.

Virou um contraste perto do bueiro
vive sendo pisada mas sobrevive.

Essa flor
é para quem enxerga detalhes
pequenices grandes
simples pra mudar a razão do dia.

Essa flor
pode se tornar fotografia
ou uma reflexão
para um espaço da vida.

Comédia tropeçante

A vida é uma peça
que ao que se peça
pode nos pregar peças
em discretas desgraças
ou em grandes festas.

Mas eita mundo que se colide
e relincha:
É a peça do quebra-cabeça.

Mas eita mundo que nos aplaude:
Uma peça que não nos impeça.

E assim a peça tem sua mistura
num dia um balde de água fria
noutro uma garrafa que se estoura
para comemorar tamanha alegria.

Eu vivo mesmo
é dessa comédia em descompasso
num dia dou tanta risada
que no outro perco o compasso. 




19 novembro, 2015

Usuária de pó esia

Não sou chocólatra
embora eu goste
e nem alcoólatra
embora eu beba.

Maconha eu não uso
nem tenho seda
cigarro eu não fumo
mas acompanho. 

Tarja preta eu não engulo 
nem açúcar demais consumo
mas se tem uma coisa
que me vícia 
é a tal da poesia 
que para o meu gozo 
e bel-prazer 
ela me deixa sã
e também alucina. 

Poesia para escapar 
da tensão, da tristeza.
Poesia para fugir 
de uma dureza.

Poesia para rir
chorar e lamentar.
Poesia para frustrar
ou não frustrar.

Poesia para festejar 
fazer amor
criar amigos.

Poesia,
meu vício 
e minha alegria. 

17 novembro, 2015

Perdas

O terrorismo deveria acontecer
na casa do presidente
porque esse negócio
de olho por olho
e dente por dente
já matou muito inocente.

Quanta criança já morreu no mar Oriente?
Quanto de armamento Hollande ofereceu
para matar tanta gente?

Mas hoje é o seu povo
que está descontente.

Vivemos em um mundo
que cada vez mais
está doente.

16 novembro, 2015

Não tem tranca

Nem alavanca

Não tem freio

E nem estampa

Só uma tampa

E só um grito

Abafado

Na garganta. 
Minha pele não te impede

De você sair por aí

E minha pele não te pede

Pra você gostar de mim

Oras José

Tu sabes que eu sou assim

Quem quiser ficar aqui

Pode entrar e se distrair

Mas se não quiser me acompanhar

Fique à vontade para sair

A porta é logo ali

Ou a sala de estar também pode

Te servir

Que a noite está para começar

E eu não vou morrer por ti.

11 novembro, 2015

Existe algo mais?

Os seios
são duas montanhas
algumas altas e outras baixas
dum chão macio
e também firme.

Lembram peras,
alguns  melões,
outros laranjas,
ou então limões.

Os peitos
se parecem duas conchas
fechadas e abertas
a mostrarem preciosidades
mamilos de pérolas
de várias cores
entre claros e escuros.

Os seios podem ser maternos
cheiro de leite - cheio!
Jeito de colo.

Os seios também  podem ser amantes
quentes na cama
cheios de gana.



Redunda e dançante

A bunda tem mesmo vida própria
Drummond
ela se diverte
e diverte quem a olha também
com seus formatos
na sua dança.

Bunda pra lá
Bunda pra cá
Bunda valsante
Bundamor!

É sorridente
não importa o que
eu pense
ela está sempre sorrindo
nunca vi bunda doente
direita e esquerda
nem entram em conflito
não enxergam celulites
são duas dançarinas
contentes.











08 novembro, 2015

Puxadores artesanais

puxe a dor

de coisas irracionais.

Sol por onde andas

tão só?

que te demoras a vir

a rir.

Sol...

não fiques só aí

que o dia há de ir.



Se tu te escondes

ainda assim 

a vida acontece

não te demores

que logo anoitece

e você padece.