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12 setembro, 2015

26 anos e meio

A escolha não era dele, era dela e sempre foi assim. Não sabia tomar decisões, refletir, porque alguém fazia isso por ele. De um lado a bajulação e doutro a manipulação. Participar deste grupo é me aniquilar e eu não posso, pois desde pequena bati o pé para poder vivenciar as minhas experiências e quantos confrontos dentro de casa por conta disto, era uma adolescente aprendendo, queria viver para o mundo, escutei conselhos sim e por que não? Aprendi muito com os outros e sou grata por isso (ainda aprendo), mas aprendi muito me ouvindo também, fazendo as minhas escolhas, ainda que elas fossem me despedaçar no dia seguinte.

Mas me parece que alguém dita a profissão que você deve seguir, aquilo que você deve usar, as companhias que deve ter, o quanto você deve ganhar para poder ter um relacionamento sério, diz até se você deve ou não sair de casa, decide sobre os seus passeios, sobre as suas namoradas e sobre quem ela aceita ou não, por isso me sentia a professora do pré primário, em que a mãe vem fazer uma reclamação sobre não terem dado almoço para o seu filho. Acho até descabido quando acompanho certos pensamentos que essa senhora faz sobre o feminismo e a luta contra o machismo, quando ela mesma procura uma nora que se submeta ao filho dela e a todos os caprichos que ela fez e faz para que o seu bebê não sapateie e não fique emburrado. 

Que pena, porque eu gosto de você e não é pouco, mas eu também gosto de mim, jamais quero que trave uma guerra com aquela que te trouxe ao mundo, no entanto, que saia deste mundo placentário e aprenda a sentir você, os seus limites, a escolha dos seus alimentos, enfim, os seus verdadeiros desejos. De repente estou enganada, mas talvez o seu maior confronto seja esse "equivocado conforto".

A gente só aprende a andar caindo, imagine se sempre nos segurassem?! e nesse cair e levantar enxergamos alguns caminhos que queremos seguir, e assim, passamos a nos descobrir através de nossas opções e não do que escolhem por nós. 


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