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22 agosto, 2015

HERBERT

Escuto o nome e me vem Paralamas, mas essa história não tem nada de Herbert Vianna e muito menos de Herbert Richers. 

Sentado no chão, encostado em uma coluna de concreto – ali está Herbert ou Erbert ou mais algum outro jeito de escrever esse nome. Pouco mais de 30 anos, não sei se chega aos 35, enfim, teria ele uma família?

Há meses estava no mesmo lugar, antes existia também a Maria, que sempre vestia um moletom vinho e muito sujo, mas praticamente não dava para conversar com aquele senhora,  devido tamanha agressividade, necessitava de tratamento urgentemente, era o psicológico e o espiritual em um tamanho abalo, a diferença é que a família sempre vinha buscá-la segundo a faxineira do banheiro feminino.

O rapaz me chamará atenção, a forma como ele olhava as coisas, as pombas, as plantas, os próprios pés e as mãos, e naquele ambiente tanta gente que chega e vai, gente que passa e um imenso vazio, uma frieza, as pessoas não enxergam nem pomba, nem pés e mãos, não percebem o outro, somente os sapatos e  promoções coladas em paredes do metro, no vagão, ou então estão preocupadas em chegar ao trabalho no horário - no bendito horário - ou se ao contrário, em retornar logo para a casa com o fone no ouvido, fone quase que maior do que a própria cabeça.

Certo dia o vi admirando as árvores e acariciando as folhas, e conversando e conversando com elas, e contemplando aquela amiga bela de pouco mais de 2 metros e cheia de flores roxas, realmente linda!
Mas ele precisava conversar com outros, descobri que sua família não o queria, não se importava, até mulher ele tinha, se o que contará era verdade eu não sabia, no entanto, muitas vezes a realidade é cruel.

O moço gosta de desenhar e às vezes escreve, antes era no papelão, agora é na sulfite, no lápis de cor. Dia desses o vi nas escadas, ele ficará ali com os olhos escancarados olhando para as pessoas, e elas subiam e desciam e elas subiam e desciam e subiam e desciam, mas ninguém percebia aqueles olhos escancarados, eram janelas abertas dizendo: - entrem, eu vejo vocês e vocês não me notam?!


Eu me sentia uma câmera que às vezes falava com a personagem principal. 





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