Translate

15 dezembro, 2014

Página 63

Houve um tempo de tempestade
crueldade é se agarrar 
em cacos, restos de um vaso.

Na loucura de botar uma flor
sem ter vaso, sem ter água, 
sem ter nada. 

Na ternura dos meus olhos cegos
retina enterrada, 
fingindo cores pela madrugada 
sentindo amores que nunca 
dão risada. 

Uma súplica às vezes parece tão miserável 
hoje sei que miséria não é só barriga vazia 
é a insistência de um coração oco que bate
mas bate por nada.

A saudade uma ferida
não era saudável 
eram só partidas. 

Lamentável é a defesa
lamentável é a tentativa
sensações boas ou ruins
qualquer coisa virá poesia.

Fiquei no soro, no choro
vendo pingo por pingo
remédio lento como relógio
era uma dança da lentidão
entre pingos e ponteiros
eram tão exatos o pingo
e o compasso.

Deixei costurar, rasgar e remendar,
e abriu,
algo necrosava em mim.

Um bisturi....

Nem doía mais
parecia que nem era eu ali
contava apenas as lembranças de outra
puxei a gaveta dela e olhei tudo o que podia
não me reconhecia em tantas coisas
involuntário ou não
eu já nem sabia mais o que acontecia.

Foi assim em cada pingo de soro
misturado com alguma coisa que chamam
de medicamento
mas eficaz mesmo é o tempo,
esse ponteiro quase quebrado
e quando se vê....já passou o dia.


Nenhum comentário:

Postar um comentário