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09 julho, 2014

Condição pós moderna

Rabiscos na tela sem ligação
remontam a nossa situação
arte como abstração
colagem de outra colagem
roupagem de uma ultra modernização.

Conhecimento corre
tudo escapada
tudo se cria e morre
na nossa expectativa
de projetar um futuro perto
que sempre se consome
na nossa destruição.

Perdemos a noção
se estamos aqui ou no Japão
esse universalismo fragmentado
que nos une separado
é contradição
para que tenhamos tudo
sem ter nada
um vazio que preenchemos
com nada
parcelado em 24 vezes no cartão.

Em um clique estou no Afeganistão
noutro eu viajo para as ilhas Cayman.
Em um clique eu conecto
noutro eu desconecto.
Em um clique eu compro
noutro eu vendo.
Em um clique se tem um relacionamento
noutro o rompimento.

Somos multi
personalidades
necessidades
sem sabermos o por quê.
Ontem eramos alienados
hoje somos esquizofrênicos
desconhecemos a própria realidade.

Observem a arquitetura
e as relações sociais.
Vejam a pintura
e a aplicação  das texturas.
Ouçam a música
sua batida e ausência de conteúdo.

Percebam a superficialidade
do evento em que vivemos
estampamos risos angustiados
porque somos bombardeados
velozmente por tantas informações
que roubam a nossa identidade.

Não importa o conceito se constantemente muda
em busca da verdade foi que negamos a nós mesmos
a tese de hoje será derrubada amanhã
e a de amanhã será rebatida em outro dia.

E a colonização perdura
já não mais por terra
mas pelo espaço da globalização
que não nos faz livres
e nem mais felizes
pois a sensação não mente
sabemos perfeitamente
que é oco porque é ilógico
no entanto nos tatuamos com status
vivemos na morada do ego
que nos apodrece.

Já não temos ouro para emitir tanto papel
por isso tratemos rapidamente
de comprar e comprar
para abafar uma crise bem maior
e assim tudo vai para o mercado
até o sentimento é mercantilizado
qualquer sonho é industrializado
e o sentido é não ter sentido
apenas sentir-se perdido.

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