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29 junho, 2014

O Amante do Bukowski - Parte IV - Uma fala da infância

- O que tem do passado no presente?
- O que viverá do passado no futuro?
- Por quê?

- Por que a gente traz toda essa bagagem com a gente, até a mais pequena fala, que por sinal parece ser a que mais ecoa em nossa mente?

 Ele era pequeno demais, uma criança, e como praxe, como amor ou como sei lá o que, é coisa de mãe dizer ao filho que caso venha a se perder, que fique parado no mesmo lugar até alguém encontrá-lo, até ela o encontrar. 

Parece que isto cresceu junto, a fala uma semente, enraizou-se profundamente, ao ponto de confundir o tempo, a idade, as escolhas. Forma de estagnar, estagnar, estagnar, muito mais do que isto: medo!

- E se ela não me achar?
- E se eu for? E se eu for? se eu for?
- Ela vai me achar?
- Vou me perder ainda mais?
- Estou perdido... cadê minha mãe?
- Ela disse para eu parar, vou parar e ficar aqui porque me perdi. 


O conselho da mãe ecoa há mais de 14 anos. A fala é uma marca, um conflito, um impasse, o medo de se perder porque já se perdeu uma vez, e hoje é metáfora, é pausa de dor. 

Não vingar os passos.
Ele para e fica esperando, sabe-se lá o quê ou quem.


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