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07 junho, 2014

Made in me

O bom de não se ter tudo é que se aprende a criar o que não se tem. Sou grata por todos os brinquedos que os meus pais não me deram, não foi um problema grande para mim, os que tinha eu brincava, os que eu não tinha, eu simplesmente criava. Fazia minhas bonecas, os vestidos delas, mudava até as minhas roupas, e tudo mudava ao redor, não era como chegar em uma rodinha de crianças e perceber o que todos têm e você não, mas sim, o que eu tinha e o que o mercado não dava. 

Queria uma lousa maior, não tive, então eu rabiscava com giz nas cerâmicas de minha casa, depois eu apagava, confesso que a lousa laranja me ajudava a enxergar o mundo de uma outra forma, de maneira que nem sempre as ferramentas precisavam ser bem aquelas para se alcançar o que se pretendia, por isso, eu não me queixo de minha infância porque tive tudo o que quis de uma maneira muito diferente, forma esta que me fez usar a criatividade, exercitá-la, meus pais nem perceberam, no entanto acabaram me ajudando muito nisto e nem sabem o quanto.

O interessante é que a infância de algum jeito sempre nos acompanha, nos marca com certa característica ou com várias. Geralmente as nossas escolhas de vida iniciam-se nela, eu não falo da maioria das crianças que querem ser veterinárias ou jogadoras de futebol e depois tornam-se algo totalmente diferente, eu falo de nossas relações, do nosso modo de lhe dar com elas, de interagir com tudo que recebemos, para podermos optar em tê-las ou não, ou ter de um outro jeito.

À medida que envelhecemos outras necessidades e novos desejos aparecem, o que era velho vai embora ou então, amadurece, e por isso contínua conosco, pois certos aspectos da infância crescem dentro da gente, portanto, eu acredito que nunca vou parar de escrever, porque já gostava de outras épocas, e hoje eu já não faço as minhas bonecas, eu pinto os meus móveis ou qualquer outro objeto que eu queira mudar - eu simplesmente mudo! Isto não é uma apologia para que não se comprem coisas novas, porque é gostoso comprar coisas novas e não tem nada de errado, porém, melhor ainda é fazer do velho algo novo, uma pintura muitas  vezes muda tudo, mas, atenção: não é somente uma pintura ou a construção de alguma coisa, é a sua pintura, é a construção de sua ideia, de sua coisa, e me sinto assim, maravilhada, com coisas que são feitas dentro de mim, arquitetas por mim, coisas estas que o mercado não dá. Made in me!!


5 comentários:

  1. Ananda que agradável ler isso...
    Tem cheiro de infância!
    O que fizemos com as dificuldades! É uma pena, mas fomos maiores e somos!
    Lembrei-me da casinha feita com a caixa de papelão que cheirava sabão, as roupinhas de boneca que vendia e alguém fazia as bonecas que fiz com retalhos, pois muito faltou. Apesar das faltas construímos pessoas ilustres! Quer inventar, quer criar, chame a nossa tropa somos bons!

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    1. Acho que vou voltar para a infância!! Eita tempo bom, agora o jeito é só escrevendo memórias ou então, viver e perceber o que cresce com a gente.

      Seria isto a sobra do passado ou o tesouro de outra época? Vou ficar com a última opção!!!! ; )

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  2. Que lindo Fe!! *_*
    Realmente, essas são as coisas mais importantes. Nas "dificuldades" aprendemos o que realmente é essencial!

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    1. ...o interessante é ver tudo isso refltir com o tempo. Ter hoje uma situação contrária, e mesmo assim resolver criar algo que seja seu! Você viu o abaju, eu adorei, só podia ter mesmo é a minha cara, a minha marca...hahaha!!!

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  3. Hahahaha verdade!! Lindo o seu abajur!! Muito a sua cara =)

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