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29 maio, 2014

O Amante do Bukowski - Parte III


Ele coloca Cícero pra tocar,
tentando apaziguar o que se bate contra o concreto.

Às vezes quando menos triste, canta Smiths,
Hand in glove!

Ele não sabe dizer,
eu interpreto os textos que o amante escreve.

Quase sempre depressivos.
Quase sempre angustiantes.
Sempre tem uma mulher no meio com a palavra
foder - minto, quase sempre.

Procuro o amor e não vejo.
Encontro fuga,
encontro medo.

Não consigo como os outros
dizer: "- Poxa, que lindo!!"

O rapaz escreve bem, muito, mas
não é bonito.
Escancarado ele grita:
- Gente estou perdido.

Viaja para habitar paisagens nas quais
ele
não vive,
se fez sombra nas fotografias.

Não sou do contra, só não apoio o suicídio
como remédio.

No fundo o que ele quer é um laço seguro,
que não o aperte,
que apenas o segure,
e...é preciso entender que antes do laço está o nó,
e que nada disso é fácil,
e que a vida também se preenche de conflitos
e questões que nos fazem melhorar.

É preciso investigar,
assim como se investiga uma doença
para curá-la,
assim como insistir em limpar o machucado
para cicatrizá-lo.

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