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27 abril, 2014

Amorural

Se eu pudesse
Ia pro mato
Escrever de noite e dia
E depois dormiria na rede
Pra sonhar sonhos verdes
Até que eu acordasse
Tomasse o café
Pra em seguida colher meus frutos
E amar minha mulher
Lá na lagoa onde os peixes nos espiam
Onde a mata nos esconde.

E por fim
Escreveria sobre o meu dia
Traduzindo toda a minha alegria.


21 abril, 2014

POETANDO

Poesia é enxergar na pedra não só uma pedra
da rosa não só uma rosa
e do concreto o abstrato,
a metáfora,
analogias
-E há quem defenda!

Também tem quem só veja a margarida
e a calçada
quem vê o sol e só o sol
o céu e mais nada
e mesmo assim, trabalha bem a poesia.

E ela pode nem ser escrita sabia?

Poesia também é reciclagem!

A gente vê uma coisa velha e transforma:
Pinta
Corta
Cola
Muda de lugar
de cor
e de forma.

Poesia na garrafa pet
Nas caixas de ovos
No armário antigo
Na parede descascada
No quadro
E na roupa ...e no sapato.

Poesia no mofo
no lixo,
largada
jogada
vendida
dá-da.

Poesia no ferro velho, já viu?
Poesia no vestido que você cortou
e no botão que você colocou
- E ai já vestiu?

Poesia é o tecido que nos move!

É a literatura
a arquitetura
a canção
as cordas de um violão
a estrutura
a liberdade
o artesanato
o texto
o saquinho do mercado
o marceneiro, veja só o que ele faz?
- Já observou?

...

-Poeta?

- Poeta muita gente é, e nem sabe!

Flor Do Quiabo

Q u i a b o - parece uma palavra brochante
Talvez um rosto apagado - diabo:

- Olhe essa flor do quiabo?!

Até que tem um gosto bom
este verde refogado
Mas pra quem não sabia
da existência de sua flor
quando vê fica espantando

Quiabos são pessoas
Morangos são pessoas
Cerejas são pessoas
Nabos são pessoas

E tem que tenha fruto
quem tenha flor
fruto e flor
só flor e semente sem fruto

E têm aqueles que têm muitas flores
como o abacaxi: dizem que não é fruto
que é o resultado de várias flores juntas
então comemos ovários

E nem todo fruto é fruto
E nem toda flor é flor

Mas a flor do quiabo seu diabo
se é o flor ou não
tanto faz
nem ei de pesquisar
ela me deixou
foi fascinada!

É a alma
O sorriso escondido
O segredo

Quiabos!!





20 abril, 2014

Páscoa

A vida precisa de poema
prosa
poesia
de amor a cada dia.

Tem que contar história
deixar uma música
uma lágrima
uma carta
e memórias.

Ela também precisa de futuro
de presente
do presente
do agora neste instante
deste viver.

A vida precisa escrever
abraçar
beijar
fotografar o que faz sentir.

Ela precisa a cada minuto que morre
ressurgir
seja das cinzas
da primavera
ou seja de mim.

13 abril, 2014

Povo feliz?

Logo de manhã somos gados,
bois, vacas, ovelhas e qualquer coisa
que tenha pele e carne para ser consumida,
oferecida e descartada.

Importam cabeças e resultados
importam lucros e ações
na boca da bolsa de valores de burgueses.

Nos massacram na linha vermelha
na linha do trem os cachorros mordem
para que você não se atrase.

- Vamos que um minuto é dinheiro,
já pra'quela ala do frigorifico
que hoje te devoram
o figado e o joelho
e quem sabe talvez amanhã,
o corpo inteiro!

Os cães mordem pra machucar
te arrancam os pelos,
as peles,
nos fazem bichos assim como eles,
mas nos fazem lixos,
ficamos espremidos,
e apertados permanecemos
até a estação do matadouro
chegar.

"Fazendinha"

Tem grito de socorro
Tem fogo na favela
Tem gente inocente
Sendo esquecida novamente

Famílias perdem o rumo
Crianças brincam no escuro
O rio fétido é a companhia
De quem nunca teve amparo

Não tem água
Nem comida
Não tem teto
E nem abrigo

Mas ainda assim são exploradas
Pelo mesmo inimigo.

09 abril, 2014

Um tanto 7 faces


Quando nasci feito uma moça confusa para o mundo 
minha mãe disse:
- Vai Fernanda, fazer paródias sobre o Raimundo.

-Minha mãe,
por que não me interpretastes?
- Se sabia que eu escrevia.
- Se sabia que ali eu existia.

Carlos, Carlos, Carlos
Se eu não me sentisse Raimundo 
Também não seria Fernanda 
E nem pensaria Drummond.

Carlos, Carlos, Carlos
Se o mundo é complexo 
Simples é o nosso coração.



O universo do meu verso

Transborda
Aqui dentro
Bate pra fazer arte
Em cada parte dum sol
Poente

É feito alarde
Que proclama
O fogo da tarde
Na cama chama duma nuvem
Vista no final da mente


O universo do meu verso


É peito aberto
Que sangra e nasce
De um canteiro torto
Uma rosa linda

Cavuca a terra
Pra plantar semente
Pra colher o fruto
E comer contente

É um aguardente
Que se embriaga
Com as histórias de vida
De qualquer gente


O universo do meu verso

É o céu de coração erguido
É a canção que cura o doente
A chave que liberta o prisioneiro
De si mesmo

Não tem nome
Nem tem dono
E nem tem rima

É um mistério
Que pulsa o papel
A caneta e a tinta

Canta o que grita
Escreve o que não se fala
Enxerga o que se esconde
E traduz todo um querer.