Translate

23 março, 2014

O amante do Bukowski - Parte II

Entrou nos melhores cursos das melhores universidades públicas. Namorou mulheres bonitas, interessantes e inteligentes, viajou para os melhores lugares do planeta Terra e ainda viajará, escreve, bebe, transa, pinta e borda, fuma uma, discute, briga, xinga e ama, mas só dá voltas sem destino, sem rumo.

Ele diz pro outro ser mais objetivo quando ele mesmo não é, acha que tudo é muito exato, mas a vida dele é tão complicada, e daí eu fico pensando se ele já se deparou com isto??

Prolixo é o que ele faz com as relações, fala demais, mas não diz nada, tem medo de ficar só, é um tremendo de um carente, apenas. Entra num curso, sai do curso, entra num relacionamento e sai do relacionamento, entra em outro curso e sai do curso, começa outro relacionamento e sai do relacionamento. 

É uma espécie de impulso, empolgação, algo que dura por pouco tempo, tempo suficiente para não completar nada, e o problema francamente não é que os outros pensam, isto é o de menos (dane-se), a questão é o que ele acha, e acontece que se questionado, se irrita facilmente, é motivo pra fugir, pra não ouvir, dói, uma pergunta simples dói, e depois diz que é livre, livre merda nenhuma. Se pergunto o que quer, ele não sabe, mas mesmo assim quer ter sem saber, por quê?


As escolhas que tomamos nem sempre são as mais corretas ou as melhores, e por isso é preciso refletir um pouco antes de convictamente afirmar saber o que não sabe. Dar voltas, dar voltas e dar voltas, se for gostoso, continue, já valeu a pena viver, mas se incomoda, vê se senta na calçada pra sobreviver .

No final das contas, ele escreve tudo o que não foi e tudo o que se foi, no final das contas, é só ele e mais uma dose, como o Bukowski, cerveja se torna então, somente algo amargo na garganta.

Nenhum comentário:

Postar um comentário