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23 fevereiro, 2014

Época Hipermoderna: Ctrl C e Ctrl V

Esqueçamos o  passado, neguemos a tudo- a nós mesmos, façamos do nosso presente sempre um futuro projeto que não terá fim. Foquemos neste nosso indeterminismo, desta vida em pedaços de gozos cretinos em liberdades enjauladas construídas por mentiras esfarrapadas.

Vamos irmãos,

Consumir até o último talo esta era de avanços tecnológicos em que num clique se tem tudo e noutro, não se tem mais nada. Proclamemos a inconstância do que nos servem, este alimento que nos reparte, que nos semeia individuais.

Festejemos aos laços frouxos, ao rápido conectar e desconectar das relações pessoais. Percamos as dimensões dos territórios, do mundo, da vida. Vivamos como inocentes no ciberespaço, viajando de um país ao outro num simples trocar de telas, extirpando as fronteiras, comprando e ofertando o que somos, num ato indireto e obrigatório de aprender inglês e falar francês para vender e apresentar os lucros que nos escravizam.

Não existe escolha! A agilidade engorda o cofre do forte, e os nossos sorrisos estão perdidos entre as línguas podres, as nossas conquistas não são nossas.

O mercado insiste na livre concorrência de qualquer coisa, ao ponto de nos transformarmos em coisas, produtos, já não somos homens e nem mulheres, e boa parte do movimento feminista de hoje já não prega igualdades a não ser disputa. Nos matamos entre ilusões e poder de barganha, não existe o social e muito menos o ser humano.

Vejo a reprodução de uma cópia se repetir mais cem vezes, a Monalisa já não é de da Vinci, quantas propagandas dela temos representando o padrão da estética atual? 
Vejo os lugares perderem a sua função, antes na farmácia apenas se comprava remédios e hoje nas prateleiras de medicamentos até camisola e sapato têm.

Estamos num eufemismo impróprio, do tipo: eu te empresto mil reais e você me paga parcelado em quarenta e oito vezes de cem reais. Especulação financeira não me parece suavizar nada. 

São vários trechos fragmentados que simplesmente eu poderia escrever, mas o que acontece é que já perdemos a nossa identidade, a moda é viver em superficialidade - sim, e de maneira completamente veloz!


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