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03 fevereiro, 2013

O TAMANHO DA SUA FELICIDADE


- Em que local ela se esconde?


- De que forma ela se mostra ?

Tenho que concordar com o Bauman – é verdade : “ o aumento do PNB não é sinônimo de uma vida feliz “ .


- E não é mesmo !


- Por que consumimos?  É claro que é preciso alimentar-se, vestir-se, calçar-se . E o que mais é preciso? Por que é necessário ter um carro zero? E se eu optar em não ter automóvel algum? Por que eu preciso de silicone quando estou satisfeita com os meus seios? Por que eu preciso pesar 50 kg quando gosto dos meus 60?


Um, dois, três, ..., quinze pares  de sapatos a mais , um, dois, ..., quatro carros novos na garagem, e mais o lançamento do último celular no mercado. Será que é possível chamar isto de alegria? 

Pelo que observo, na maioria das vezes, tenta-se frustradamente comprar o que não se pode, logo, o que resulta é um enganação do que acredita ser, ter, no entanto, não ter e nem ser.

Por que comprar compulsoriamente? O que de fato está sendo substituído? Aliás o que se tenta substituir? 

Engraçado e estranho porque já foram feitas várias pesquisas e os países mais ricos do mundo são também os mais infelizes. Não estou dizendo com isto que os pobres sejam felizes, pois não acredito que miséria e pobreza sejam algum bem estar, mas isto significa que a verdadeira felicidade vai muito mais além da classe social a qual você pertence ou dos bens materiais que você têm.

Recordei de alguns passeios que às vezes eu fazia na zona Oeste de São Paulo, próximo de Pirituba. Neste lugar existem vários condomínios fechados  e tantos outros que não são fechados, mas mesmo assim são elitizados, e lembro-me muito bem de um belo parque , a grama limpinha e um lindo rio, as casas - melhor, as mansões - de cores formidáveis e arquiteturas fantásticas estavam mortas, quase que enterradas, não possuíam vida, com exceção das cores , contudo, o que são das cores sem as pessoas? sem as famílias?
Naquele lugar encantador não tinha ninguém, a não ser  empregados domésticos que não utilizavam as piscinas dos seus patrões e muito menos dirigiam as suas Mercedes. Não tinha um latido de um cachorro, não existia o sorriso e as gargalhadas de pelo menos uma criança num domingo à tarde. Nunca vi uma pessoa daquele local sentada na grama ou observando a bela paisagem e o rio a passar, muito menos alguém aparecer na janela da própria casa, porque todas eram fechadas, aquilo parecia um cemitério de mansões, ao mesmo tempo bonito e assustador.
Logo fiquei a questionar por que viver em uma lugar assim? Por que construir um castelo se ao menos irei residir nele? Se é que preciso de um castelo para a minha felicidade, ainda que fosse, então, porque estas pessoas nunca demonstraram realmente amar suas escolhas, mas em contra partida pronunciam com a boca cheia aquilo que possuem materialmente, como se isto fosse um enorme êxito de alegria ou felicidade(?).

A verdade é que a “compra destas ações”, posturas e padrões são descartáveis, caros e ao mesmo tempo baratos demais. Eu posso ter um carro, ter uma casa ainda que não seja uma mansão, ser economicamente bem sucedida , ser a mulher mais bonita e desejada da festa e isto não significar o sorriso estampado na minha alma , porque na verdade nada disto é felicidade, é uma ilusão em que as pessoas preferem não se dar conta e quando começam a perceber retomam o mesmo movimento de consumir para suprir a falta do que ser quer, e “sempre” aquilo que se quer mais , não tem preço .

E se de repente neste jeito distorcido no qual vivemos for preciso até mesmo pagar por um abraço , prefiro à morte .


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