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17 novembro, 2012

GOSTO DO GOSTO QUE GOSTO !






PALADARES ?

É bom conhecer novos autores , ler novas obras , porém , quando a minha mãe faz bolo , que por sinal muito bem , não sei , mas parece que fica com um sabor melhor ainda do que já estava quando provo no dia posterior, simplesmente pela manhã retiro ele da geladeira e corto um pedaço quando todos já experimentaram ontem , inclusive eu mesma , entretanto o sabor do bolo no dia seguinte é inexplicável . Assim me sinto com relação a alguns livros e autores em especial , porque ao ler o que gosto e de quem eu gosto , tenho um gosto ótimo , contudo , percebo que ao reler fica um outro gosto melhor do que já existia .
Aos 18 anos recebi um cartão de aniversário e nele continha uma pequena reflexão do autor Rubem Alves , escritor desconhecido para mim  naquela época , mas , foi a partir daquele momento que passei a conhecê-lo cada vez mais . Nestes últimos dias resolvi retirar da estante um dos muitos livros que tenho dele aqui em casa , pois é gostoso e saboroso experimentar e interpretar novamente - é a mesma comida com um tempero diferente . 

- Entendem ?

Dei várias gargalhadas , foi bom !

Aqui reparto uma fatia do bolo :



O QUE MINHA CADELA PENSA DE MIM 

"Meu nome é Lola. É assim que me chamam. Quando gritam o meu nome, sei que me querem perto deles. Psicologicamente posso ser definida como um animal incapaz de mentir ou fingir. Minha alma mora na minha pele. Quando estou alegre, meu rabo abana por conta própria, independente da minha vontade. Quando a alegria é demais, dou umas mijadinhas. Quando estou triste, meu rabo e minha cabeça abaixam. Quando estou com sono, me esparramo no chão, do rabo ao focinho. Tudo se dependura: pele, orelha, testa, olhos. Meu dono gosta de mim embora fique bravo quando eu pulo para abraça-lo e lhe dou uma lambida. O que é verdade para mim não é verdade para o meu dono. A alma dele não mora na pele. Ele mente. Ele finge. Nunca vai dar uma mijadinha de felicidade. Talvez ele não seja suficientemente feliz para isso. Às vezes, eu estou deitada do jeito como descrevi e ele esta assentado numa cadeira. Ele olha para mim de um jeito diferente. Não é alegria. Não é tranquilidade. Acho que é inveja. Ele gostaria de ser como eu sou, mas não tem coragem...está morrendo de vontade de se esparramar também no chão frio, com eu. Mas não o faz. Fico a pensar: o que impede? Acho que é vergonha. Os homens têm vergonha um dos outros. Sou feliz porque não tenho vergonha e faço o que quero. Talvez essa seja a razão por que os homens gostam de ter pets: porque nos pets eles protejam uma felicidade que eles mesmos não têm. Diga-me o pet que você tem e eu saberei como é sua alma. Os pets têm uma função terapêutica. Bem, eu sou uma cadela, e tudo o que disse foi de brincadeirinha. Porque eu mesma, na realidade, me contento em ser feliz. Não gasto tempo pensando essas coisas..."

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