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26 agosto, 2012

QUARTO 808


Inventou tudo o que podia . Estava cega!
Mentiu até quando não mais podia . Ficou cega!

O seu filho não era filho – era marido.
Não tinha filho , não tinha nada. Foi arrogante , quis comprar.
Maltratou até quem lhe quisera bem . Fez o que fez , quis  dizer que era forma de enganar a visão , fez pensar imaginar . Desconfie mas acreditei .

Seus pés não andam
Sua bexiga não funciona
Ela não enxerga , e ferros ficam em seu corpo.

Há quanto tempo?

Tento entender os exageros dela , mas a conclusão que chego é suicídio .
O que dói mais?
O que machuca mais?

A realidade é um fato? A verdade é  o real não ser o que sentimos , porque não queremos sentir , a verdade é o que gostaríamos que fosse – isso é real , porque sentimos isto – o que gostaríamos. Mas não sou “personagens” , eu sou eu assim . Invento sim , porém não me enrolo na invenção . Até que ponto isto é saudável ?

Poderíamos ter criado uma estória menos dolorida . Ela sabe da verdade , não foi enganada , tentou se enganar!

A verdade dói .
O que é real?

2 comentários:

  1. Confesso que na maioria das vezes tenho dificuldade em distinguir a realidade do inventado, mas percebo cada dia mais que invento minha realidade...

    Somos realidades forjadas da nossa própria invenção...

    ou

    Seríamos invenções dentro de uma verdadeira realidade...

    ?

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  2. Q-que isso! Você rasgou o verbo. Ainda bem que você não se enrola com as suas "invenções". Acho que o maior lance da escrita é o desabafo, a libertação. Mandou super bem, Fernanda!!!

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