Translate

29 maio, 2012

Cacos , atos e átomos


- Quantos cacos tem “ai” para quantos atos?

-Átomos, átonos.
Infinitas partículas positivas, negativas e neutras para alguns pronomes suaves que tentamos disfarçar.

Cacos parecem buracos, outros parecem rasgos .
Cacos presos entre novos cacos – c o l a d o s.

Apresentam-lhes cargas elétricas, de cor, magnéticas, carregadas de dor.
Cacos às vezes são estragos, a junção de alguns átomos também causam estragos .
Explodem em algum lugar!

Cacos perdidos ao vento lembram redemoinhos
Turbilhão de pensamentos
Calor e frio juntos em atrito – atos.

Os cacos expelem e refletem
Assim como os átomos expelidos pelas estrelas frias
Que agrupam-se com outros átomos para criar o metano
Extremamente perigoso no ar.

Os cacos são desafios desatinos
Leves e grandes
Fortes porque quebram-se entre as partículas que fundem-se
Ao formarem um átomo de átonos dentro de cada caco.



24 maio, 2012

Ver-(E)go-nha


A vergonha não esconde a miséria , mas fala da era sem fome com dignidade.
Eu duvido.
Declara entender o que é desumano , porém não compreende o que é humano.
Não tem medo de contar mentiras e nem de sujar as mãos com sangue .
Lava o rosto com champagne , toma banho com dinheiro
E supostamente vai salvar o Brasil ,
Eu duvido.

A vergonha concentra a população com milagres que até Jesus dúvida .
São promessas líquidas para acordos desastrosos
Que diz que faz e só diz e não faz nada
Argumenta com leis o dever ser , sem saber o que é ‘ser’
Que sente como gente , mas mente.
Eu não duvido .

A vergonha não quer “estatizar” problemas
Julga-se herói do bem fazer ;
Este corrompido , camuflado pela sede de lucrar um pouco mais
Que não é Estado .
É qualquer “coisa” com abuso de poder no lugar errado.
A ensaiar discursos para um povo calado
Ao contar piadas para aqueles que riem , mas não abrangem .
Eu não duvido .

A vergonha está na saúde , educação
Junto a pobreza
Nos olhos de quem tem Nação sem ação .
Nas músicas que retratam nossa situação
Em imagens que mostram a formação
De pessoas que esperam em lentidão
Atitude sem manifestação
Por culpa da violação
Eu não duvido .

A vergonha dos descalços descasos
De periferias em guias de asfalto
Da comida retirada do lixo
Ao chão uma esmola de abrigo
Um grito , um choro e uma vida.
Quantas são?
Eu não duvido .





Vamos celebrar nossa bandeira 
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos o hino nacional 
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
Comemorar a nossa solidão...



23 maio, 2012

Conotações e Denotações

Morangos são gostosos  e às vezes amargos.
Morangos para as palavras;
Em sobremesas;
   
Como apelidos

&

Fora de época.


Morangos são deliciosos mastigados, batidos e interpretados .
Eles ficam aglomerados, de mãos dadas e alguns machucados.
O morango tem o formato de um morango.
Tem a cor de um morango.
Tem o cheiro e gosto de morango.
Mas, não tem o tamanho de um morango.



Par ou Ímpar?

Os números são escolhas
Vontades nem sempre são decisões
Disse par e colocou ímpar
Fez enganar , quis ganhar
Natural para um jogador esperto
Vencer é o ideal
Apostar inseguranças e comportamentos
Vícios e virtudes
Identificar-se pelo troféu
Apresentar o sorriso vázio
Sem feição , cansado de errar,
Mas preso ao ego
Como um jogo de damas
Em que a dama quando obtém a soberania
Fica sozinha .

11 maio, 2012

Prove que você não é um robô

 
  Perdi as contas de quantas vezes eu já disse detestar esta frase citada logo acima.
- Repugnante!
- Fico a pensar:
-  Por acaso o robô deixa comentários em um blog , a tecnologia avançou tanto assim?
O que manifesta-se em mim é um grande sarcasmo de quem a criou , e infelizmente parcialmente verdade.
A questão não é existir um sistema programado para sair a digitar pelo cyber espaço , o pensamento vai muito mais além do que a sistematização , pois ele envolve-se com a razão e emoção(humanização) , porém , será que para toda esta globalização alienamo-nos , como que quase um robô?
- Pode ser!
Ainda assim , penso que aquela colocação é desagradável , possivelmente porque eu não me encaixe nela.
Tomemos como exemplo o facebook - coisa interessante:
 "Possuo amigos que não tenho ; participo de correntes sem um elo ; clico em curtir para ser aceito ; deixo bom dia , boa tarde , boa noite e etc para uma rede que reproduz a minha mensagem , contudo , eu mal olho para o vizinho ou cumprimento-o quando saiu para a rua ".
- Alguma coisa inverteu!
- Paradoxo.
- Solidão demais , estou online , off-line .
- Sou virtual !
- Eu sou tão somente virtual?
O capitalismo está saturado , fora consumirmos objetos em demasia para suprir solidões , consumimos pessoas com a mesma intenção , porém, de forma contrária .O problema é toda esta ilusão .
A necessidade de se colocar , repensar , de estar no mundo é repugnante .
- Cadê o lucro?
Certamente porque a desigualdade sempre "aprisiona "enorme parte da população , entretanto , outras classes sociais com o poder econômico diferentes não são distintos neste requisito .
Poucos casais casam-se hoje , mas , com certeza dentro de poucos anos aqueles que pretenderem casarem-se  legalmente , ficarão em suas casas , a noiva na residência dela clicara no sim , e o noivo a mesma coisa .
-  Quanta separação !
Os filhos verão os pais apenas pela webcam . Os velórios , o enterro serão exibido através da internet .
Eu nunca fui a favor daqueles bichinhos virtuais ( não via graça) , não tive quando criança , detestava , e agora o que posso dizer?
No Japão você cria a sua namorada eletrônica, conversa , passeia , beija , briga (não sei de qual maneira), e caso o relacionamento "progrida" é possível o casamento com registro , documento , enfim , conforme a lei. 
Ao observar esta "evolução" , percebo convicta que os meus textos(nossos) , embora também inventados e errôneos , são mais vivos , reais , concretos que esta rede social que hora conecta e desconecta.

Metáforas

 
As rodas gigantes
Giravam com as ondas do mar
Como pneus de bicicleta
Corriam para os braços do vento
Transformavam monumentos
Em sopros de amor.
A brisa juntava areia
Formava poeira nos olhos da flor
As águas carregadas de sal
Ardiam as feridas que o tempo marcou
O sol registrou as chuvas
E pegadas no chão da praia deixou
Correntezas amarravam os corpos
Faziam à força o interior falar
À tarde a maré trazia
Mormaços dos dia
Para a cura da dor
Gaivotas felizes diziam
Que os peixes voltariam
Feito rodas a alimentarem a boca do céu
E há quem jurava
Ver as bicicletas nadarem
Na trilha do mar.

09 maio, 2012

THIS CHARMING MAN

 
Entrou feito alguém despercebido , sentou-se , afastou-se dos demais e observou.
Tirou o chapéu e os óculos , passou a mão direita sobre o cavanhaque e chamou o garçom , pediu um drink - conhaque com limão.
Disfarçadamente parecia descansar os olhos , mas , olhava tudo ao seu redor .
Tirou o casaco cinza , colocou a mão esquerda no bolso da calça e puxou um cigarro , fez que iria acendê-lo , porém , logo mudou de ideia , deixou o cigarro encima da mesa , jogado .
Cruzou as pernas , balançou-as devagarmente enquanto sua bebida estava a caminho. De repente o celular dele tocou , então , levantou-se  e andou até uma área menos barulhenta , em poucos segundos retornou . Antes de sentar-se novamente passou as mãos sobre os cabelos , e percebeu que eu o observaaavaaaa.
Fiz desperceber , apoiei meu queixo sobre minha mão direita e olhei para o lado oposto, como alguém que nada procurava.
Os meus olhos deslumbravam ao encontro dele , mas , os segurei , fiquei nesta posição por uns três minutos , e quando retornei minha visão para o "magnético paraíso", ele desapareceu.
Rapidamente olhei para minha esquerda , direita , à frente , atrás, me vi meio descontrolada , fiquei a pensar onde ele estaria:
- No banheiro ?
- Foi embora?
- Ele me vê?
Fiquei a pensar , a pensar , a pensar , a pensar , meus pés batiam rápido no chão , até que o vi encostado no balcão , com o cotovelo direito apoiado neste , a bater os dedos lentamente como se produzisse um som.
Ele havia colocado os óculos , contudo , o chapéu e o casaco continuavam na mesa que supostamente abandonou .
Os meus olhos pareciam penetrar para a figura daquele homem , e ao mesmo tempo eu tentava evitar olhá-lo , e cada instante que passava tornava-se mais difícil e eloquente este desafio.
- Resolvi levantar!
Propositalmente arrumei o meu vestido e soltei os meus cabelos , caminhei até o toilet feminino em passos de sintonia , puxei uma mecha de meus cabelos para frente e depois coloquei-a atrás de minha orelha . Com a mão direita empurrei a maçaneta da porta , e "delicadamente" entrei.
Olhei-me no espelho daquele banheiro , meu coração parecia sair pela boca , e eu dizia:
- Calma garota!
Passei uma pequena quantidade de água fria em minha nuca , fiquei tensa , confesso. Quanta besteira.
Aproximei ainda mais o meu rosto perto daquele espelho , procurava imperfeições faciais para corrigi-las , os meus cabelos estavam repartidos ao meio , deixei-os de lado , um pouco jogado , próximo de algo natural , nada tão penteado. Procurei o batom em minha bolsa , tinham infinitos papéis , foi perca de tempo , desisti.
Ao sair do toilet , minha visão que nunca obedecia-me dirigia-se para o balcão. Levei um susto , ele sumiu , naquele momento os meus passos saíram do ritmo , com a cabeça quase que abaixada eu olhava de lado e não o encontrava.
Depois de passar entre muitas pessoas , desanimada e prestes a chegar em minha mesa , vi aquele charmoso rapaz sentado em uma cadeira ao lado . Meus passos perderam a sintonia de vez , o coração saltou , iria ter um taquicardia , a expressão de minha face nada disfarçava , quanto eu mais tentava menos conseguia . Fiquei no anseio:
- E agora? E agora?
- Como devo agir?
Senti minhas bochechas queimarem , naturalmente ficaram rosadas , comecei a mexer-me rápido , tentava frear os pés ou mudar o percurso, porém , a minha mesa era aquela e ele estava ali. O problema é que eu não sabia qual atitude tomar.
Buscava o controle da situação , o meu único raciocínio foi fazer de conta que nada acontecia. Quanto mais perto eu ficava daquele lugar , sentia a minha respiração ofegar. Cheguei , sentei-me , cruzei as pernas , coloquei minha mão esquerda aberta encima do meu joelho esquerdo , fixei o  meu olhar em um ponto que não fosse ele , contudo , percebi os  olhares dele recaírem sobre mim , feito imã. Deixei escapar um sorriso.
Ele se aproximou , fez notar . Colocou as mãos sobre a mesa e novamente começou a brincar com os dedos , suavemente produzia um som . Ficou estático a observar-me , minhas bochechas queimavam , sentia a minha pele gritar , deixei que os cabelos caíssem sobre uma parte do meu rosto , tentativa frustrada de teimar em esconder o que me revelava. Foi então que ele perguntou:
- Moça , incomodaria se eu ficar aqui?
- Eu respondi que não , com um meio sorriso entre os lábios . Ele puxou conversa enquanto analisava os meus movimentos , em poucos minutos ficamos cientes um do nome do outro , e o motivo pelo qual nos trouxera a este local.
Pediu um Cabernet Sauvignon, educadamente perguntou-me se eu aceitaria também , fiquei somente com uma taça .Enquanto ele falava eu examinava os mistérios de suas palavras , os gestos , a maneira como levantava a sobrancelha , a forma de erguer a taça e trazer o vinho até a boca.
Aproximou a cadeira mais próxima da minha , uma certa intimidade se estabelecia , mas , de repente ele ousou não falar e me vigiar , estudava os meus olhos , os meus ombros . Queria tentar um assunto , entretanto , não sabia qual , e antes que eu pronunciasse algo , ele disse:
- Eu sei que você me observava , percebi o jeito como dirigiu-se ao banheiro e a forma como saiu . Eu notei a diferença em suas bochechas , a vergonha , o sangue que subia , o seu andar tão elegante que tornou-se trêmulo ao me ver , aqui onde estou agora.
Seria inevitável não perceber-te , prefiro você com os cabelos sem ficarem por atrás das orelhas . Queria tocar em seu rosto , será que posso ou seria pretensioso demais?










08 maio, 2012

Desconhecido


Escrevo o que não sou e o que me falta.
Conduzo versos para esta  flauta.
O meu encontro com os meus textos são fantasias , quase que como magia que encanta e distancia.
As minhas palavras montam cenários , as vezes solitários em busca de refúgio , outrora contentes a dançarem pelos palcos .
- Eu invento!
Como é gostoso abrir um livro e ler uma ficção com sentido para uma vida que parece vazia.
- Nostalgia!
O disco que toca naquele vitrola , vive a inundar os meus pensamentos , e caso aquela agulha venha a quebrar-se , eu perderei as próximas cenas , o descontrole de seca , o deserto habitara a mente e transformara claras ideias em sepultamento .
Mas , com o disco riscado , e a vitrola um pouco arruinada , ao fundo do poço eu procuro um esboço capaz de criar escadas para uma nova invenção .
Sinto que ao transcrever tudo o que eu sinto , sente outro alguém um sentir diferente , que não sou eu , é um ator que mente.
Enganar a mente da platéia é uma arte cheia de "elucidações".
Iludir os leitores para eternos amores é uma encenação de palavras com rimas , sentimentos coloridos sem distinguir o que é evasivo .
Faço ver em mim uma verdade irreal , não é dupla personalidade , não é transtorno bipolar , porque me vejo e não me vejo .
Assumir o controle do lápis sobre o papel , ter uma borracha se eu me cansar , ou rasgar esta folha , amassá-la, e pegar outra para novamente rabiscar e rasurar , faz com que seja alguém que não sou eu.
Um poder toma à frente , recordo de tudo que foi visto e escrito , contudo , não era eu. Era quem?
Nestes dias vi um vaso pintado num quadro , nele continha uma paisagem belíssima , tinha o mar , as areias , as árvores , e estas árvores eram as plantas colocadas dentro do vaso junto as flores , e fora do vaso existia outra paisagem mais fantástica ainda . Eu simplesmente me transferi para este lugar , e descobri que neste local vivia uma pessoa igual a mim e diferente de mim.

07 maio, 2012

Cadê o nome?

- Estendo ao escrever.
- Enrolo.

- É uma palavra sobre a outra.
- Ficam ideias contrapostas em memórias que se abraçam .
- Eu me atrapalho!
São frases soltas a precisarem de conectivos , estes escritos não possuem compasso.
É um ritmo isolado , descomprometido , concerto desconcertado.
No meio do caminho avanço para outro parágrafo , perco a visão , esqueço da vírgula e travessão , atravesso a linha , distorço o contexto e crio uma nova confusão .
Não faço pausa eu corro eu fujo viu?
Mas , de repente fez calmaria - calmo , calmo , calma , a corrente estende-se para a letra A e vem a calmariaaaaaaa , acalma , até exclamo :

- Ufa !!!
Um objetivo conhecimento de falas subjetivas mudam a realidades , não sei o que pensar . Seria proposital?
- O que faço com esta piada?
- Risos !
Rir é bom , no entanto nem sei por que estou rindo . Tremenda ignorância.
Penso que me perdi , sei lá o que pretendo aqui . Dei seta para à esquerda e entrei na direita em uma rua contramão.
- Falta de sorte?
- São frases soltas . Entende?
- Ria , exclame !
Quando sai da contramão entrei em uma rua sem sáida , encostei o carro e tirei um cochilo .
- Cansei , vou fechar o caderno.

Corona

Os dias às vezes são frios e tristes
Os dias às vezes são quentes e felizes
Os dias às vezes mudam e se entregam
Os dias às vezes alegram e nos fazem chorar
Mas os dias estão vivos , portanto , lute enquanto temos tempo!!

04 maio, 2012

Pós Modernidade

Identidade tem você idade?
Identidade o que faço contigo nesta cidade?
Identidade se perdeu
Identidade se prendeu
Identidade “ideal” igual
Identidade nome sem sobrenome
Identidade forma sem conteúdo
Identidade caráter sem reflexão
Identidade tecnicista sem qualidade
Identidade norma sem compreensão
Identidade comunicação sem questão
Identidade transição sem superação
Identidade globalização ou autodestruição?
Identidade avanço ou prisão?
Identidade indivíduo em degradação?
Identidade segurança ou liberdade?
Identidade estabelece condição?
Identidade vontade e verdade?
Identidade protótipo de sociedade
Identidade confusa em quantidade
Identidade número e associação
Identidade vínculo e ilusão
Identidade sombra de fusão
Identidade história sem alusão
Identidade estudo sem formação
Identidade falso pensar
Identidade identificável.