Translate

22 abril, 2012

Sem título

Vento frio
Garoa fina
Dia feio
Céu cinzento - eu gosto do céu cinzento , mas hoje é triste.
Creio que tornou-se um vício precisar expor , cada qual encontra uma maneira de viver.
Diretamente ou indiretamente colocamos os nossos pensamentos através da linguagem .
Nem sempre somos objetivos , como agora , procuramos apaziguar algumas ideias , acreditar que elas irão partir, sumir, ou simplesmente morrer, contudo, a verdade não é bem assim .
As vezes eu tenho a impressão que os instantes vestem-se para aquilo que nós sentimos , como tentar combinar a roupa com algum acessório .
A diferença é que aqui não tem combinação. Eu não escolhi este sentimento e muito menos o dia assim!
Se eu fosse escolher um perfume , até entenderia, entretanto , a sensação boa daquele cheiro acostumaria tão fácil e rápido que , logo não sentiria-o mais . Eu não compreendo a duração disto para o qual eu não optei , fica a impotência nossa de não poder ordenar , expulsar .
Deposito a expectativa ao tempo que , sabe o que faz ,sei que algumas escolhas são minhas , mas sei também que tantas outras eu não consigo explicar ou defini-las, e estas atormentam .
Posso fingir , tentar ignorá-las , mostrar ser superior, quando realmente  sou fraca .
Pesquisei nos livros , dicionários , escutei aos sábios , interpretei músicas , escrevi , e infelizmente algumas coisas não possuem respostas , não dependem de mim ,de você ,daquele ,e não posso resumir apenas ao tempo, como já havia colocado , talvez seja reducionista demais , porém ,não encontro maneiras de concretizar . De repente algumas questões permanecerão vagas ou revelarão,de repente elas apagam ou enganam outra vez .

21 abril, 2012

Estranhezas – Entranhas

O estranho é procurado
É esquisito
Mas o estranho as vezes
É esquecido

Estranho o que foi colocado
O que coloquei
Procuro e esqueço
- Esquisito!

O estranho é contemplado
E depois perdido .
É diferente e fugitivo
Antagônico , dualista , irônico.
E também repetitivo .

O estranho é pensar , pensar
Escrever e não escrever.
Imitar – ser e não ser.
O estranho é tomar providência
E não fazer
Colocar uma ordem para ti mesmo
E não cumprir

O estranho é usar a razão
É valer-se da emoção
Tropeçar em pedras
E não perceber

O estranho perde o sentido do tempo
Da gravidade e perigo
Abriga-se a loucura incessante
Mesmo que ferido

O estranho quer esconder-se
E revelar
Quer jogar , apostar e não ganhar.

O estranho faz perguntar
E duvidar da resposta
Bate à porta
Mas vira as costas.

CÃO





- Quantos anos você tem?
- Tuas patas já te fazem de refém ?
Eu te chamo e tua audição faz confusão
Fica a perambular pela casa
Identifica a voz
Porém , não sabe onde estou.
Shack já não enxerga mais tão bem
Envelheceu!
Já não suporta o corpo
O reumatismo.
Arrasta-se pelo chão!
- Pensa que não dói bichano, ver-te assim?
Quando veio fiz greve de fome para que ficasse
Com os meses já disputava a minha mãe comigo
Se fez membro da família
Meu meio irmão.
- E agora o que eu faço para que fiques um pouco mais e não parta tão rapidamente ?
Treze anos é um curto espaço de "horas"
A realidade é que não aceitamos o fim.                                                                                                             


20 abril, 2012

October Sky

 
Pássaro passou para partir
Vai volta viver voo
Delonga distância diz doer
Menina mostrou mastigar mistério
Conversas comoventes contos contou
Sistemática saudade sentir sentou
Janela jurou jamais jorrar
Risos relatam reiterar restos
Gaiola grafia gastou gatilho
Esvazio encontro eterno escondido
Turbulenta transformação trancou tudo
Inteligência interrogada interferiu interpretação
Ouvidos ocultos oscilam ouvir
Escuto estudo educo estou
Rubem registra reforma ressurgir
Libertar lírios lançar lugar
Óculos ostentam olhos Oswaldo
Útil ultrapassou unir Unicampfesp
Prova passado pesou(pensou) perder
Vontade vitória vinculada VenCÉU
Trajetos travados tinham temor
Coragem caçada casa criou
Quantas quietudes quer quebrar
Bastou brincar brindar brisar
Ficou falou filosofou fernandou
Omar Otávio Olavo orquídea
Paulo prefere procurar pastagem
Sócrates saltou saída salvou
Manha mãe maiêutica manhã
Distrair Descartes duvidar divino
Linus limitou lugar lindo
Aristóteles admirável arte arquitetou
Privilégios passeios pintam primavera
Andar alongar aqui alterar
Vitral veja vista viva
Contigo continuarei cantar canções
Muitos momentos marcaram movimentos.





17 abril, 2012

PÁTRIA AMADA BRASIL?

 
O que mata
Deixa morrer de fome
Deixa viver no frio
Torna do abrigo
Um vazio.

O que mata (matou)
Foi (é) do Brasil tão de repente
Inserido por outro continente
Fez(faz) explorar tanta gente
Prejudicou (prejudica) a nossa mente.

O que mata
São das bundas todas nuas
Do nosso Rio a nossa rua
No cartão postal uma semi nua.

O que mata
Cria favelas como destino
Não conserta os erros pelo caminho.
Assujeita o povo
Morro acima.

O que mata
Perdeu o folclore
Fez do carnaval samba enredo em desespero
Que escreve , dança e pula
Mas não entende sua fantasia.

O que mata
Possui o nome de ensino
Que faz do método de aprendizagem
Uma escola em desatino.

O que mata
Canta o Hino Nacional
Contudo cospe na bandeira
Faz discurso eleitoral
Para formar prissioneiros.

O que mata
Está na mocidade
Que desperdiça toda a criatividade
Para a busca incenssante da preguiça
Sem nenhuma ideiologia e arte.

O que mata
É a violência em todo o asfalto
A reinar através da corrupta segurança
Ao trocar vidas por "trocos" a mais .

O que mata
É muita terra para uma só pessoa
E quantos outros a pedirem esmolas .

O que mata
É construir a riqueza e não valer-se dela
Atribuir nomes aos que não produziram ela
Para mentirem nas páginas do livro de história.

O que mata
Diz mais do que pode ser
É perceber o que não vai crecer
Em mãos de minoria .